ADVENTO: PROFECIA E JUSTIÇA EM CRISTO JESUS
Ao começar um tempo novo na igreja, somos impelidos a compreender o que esse tempo nos oferta, afinal tudo modifica, as cores, as leituras bíblicas, o acento em alguns profetas, os cânticos. Nesse aspecto, somos sabedores que a preparação para o natal do Senhor, no qual se reveste o tempo litúrgico do advento, traz uma série de expressões imperativas: VIGIAI!! PREPARAI!!! ESCUTAI!!
Os destaques proféticos, que prefiguram e antecipam as realidades messiânicas, nos impele a uma escuta e vigilância não estática, conforme escutamos no primeiro domingo “[…] deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.(Mc 13, 34). As riquezas dos textos da escritura, na temporalidade do advento, são importantes elementos que denotam o acento escatológico de uma alegre expectativa.
No entanto, sob outro aspecto, não devemos esquecer que o advento retrata, na beleza da sua liturgia, um elemento fundamental, qual seja, a espera feliz pela concretização da justiça para os mais fracos. E por aqui, acentuamos que o destaque no senso de justiça não tem nada de militância ideológica ou coisa similar. Pelo contrário, a justiça em vista da libertação dos mais pobres se insere no “DNA” da literatura profética.
Nesse aspecto, preparar o coração humano para encontrar o Cristo na manjedoura é testificar aquilo que Deus, desde os tempos de outrora quis transmitir a seu povo, afinal, o Messias anunciado (cf. Isaías 61,1-2a.10-11/ 3º domingo advento – ungido e manifestado a trazer a paz, como fruto da justiça – cf. Isaías 32, 17) é o desejo inserto nos cânticos e nas inspirações que permeiam as quatro semanas do advento, elucidando as maravilhas feitas por Deus a seu povo.
A justiça, como dom permanente da promessa divina, em particular aos mais humildes, vinda do alto, num movimento de descida e subida, tão presentes nas leituras e “orações da coleta” do advento (cf. Is 63,4.19b/ 1º domingo advento - Sl 84.11/ 2º domingo do advento e Is 61,11/ 3º domingo do advento) tem a sua concretização em Jesus, o Senhor (Kyrios), o ungido do Pai, que buscou exercer uma justiça que se contrapunha ao julgo da opressão, a exemplo do que preconizava São Paulo, quando afirmou “ser o Cristo o ungido do pai e reconciliador do gênero humano, atraindo para si a todos, sejam eles fracos e fortes, judeus e gentios” (Johan Konings. g. nosso) [1]
Portanto, que o advento nos ajude a fazer memória da justiça profética de Deus no meio do seu povo, nos fazendo “CONTEMPLAR O INFINITO NA HISTÓRIA, O INESPERADO NO ROTINEIRO, O DIVINO NO HUMANO, PORQUE O ROSTO DE UM HOMEM NOS DEVOLVEU O ROSTO DE DEUS” (Cardeal José Tolentino Mendonça. g. nosso)[2].
DIÁCONO RINGSON MONTEIRO DE TOLÊDO
Arquidiocese da Paraíba
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