Rádio Evangelizar João Pessoa | Tocando os corações pela Fé
 
A Justiça em Isaías  e na Doutrina Social da Igreja: consenso ou dissenso?

A JUSTIÇA EM ISAÍAS 61,11 E NA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA: CONSENSO OU DISSENSO? 


As belíssimas leituras do III Domingo do advento, em particular a primeira de Isaías 61,1-2a.10-11 desperta um elemento muito especial, mais detidamente em seu versículo 11, no que toca ao aspecto da justiça. No entanto, sem querer aprofundar definições filosóficas ou mesmo fugir do sentido exegético esboçado pelo Trito-Isaías, que vai dos capítulos 56-66, onde há menção a um Israel vindo do pós-exílio e na reconstrução de Jerusalém[1], a menção a justiça, como aquela que emerge e vem do alto, nos leva a crer que ela é esperançosa, pois “Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações”.[2] g. nosso)

 

O texto profético mencionado e o ensino social da igreja são siameses no sentido de corroborar a aplicação da justiça como fundamento para dissipar toda e qualquer realidade nebulosa que atenta de forma direta contra a dignidade do homem e da mulher, que assolados pelos medos e angústias do nosso tempo, também buscam retornar dos exílios babilônicos do cotidiano, enviesado pela sedução de tantos deuses e apelos, que numa desenfreada adoração de si mesmo, fazem evocar uma idolatria contemporânea que se apresenta em tantos sinais de morte e desfiguração da própria condição humana.

 

Os apelos do Compendio de Doutrina Social da Igreja[3] DSI,  que por sinal é pouco conhecido nas fileiras formativas da própria igreja, referencia a justiça como “importante no contexto atual, em que o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, a despeito das proclamações de intentos, é seriamente ameaçado pela generalizada tendência a recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade e do ter.” [4] Vejamos que nas ultimas linhas do que expõe a citação do magistério, urge refletir sobre o perigoso percurso que caminha a humanidade, ao sobrepor a condição do ser a conceitos e realidades fúteis.

 

Nesse dizer, o sentido exposto no documento magisterial evoca uma premissa que depõe contra todo e qualquer processo de desfiguração da justiça, pois a destruição do seu valor, que não se confunde com as decisões emanadas, apenas e tão somente do Poder Judiciário, embora para os mais simples tenha faltado e muito a aplicação da justiça pelo poder em comento, é uma realidade premente, pois a justiça, seja no que aponta Isaias 61,11 ou mesmo na Doutrina Social da Igreja, é um dom permanente da promessa divina.

 

Portanto, como bem elucidou o profeta na leitura dominical passada, com forte apelo messiânico, de que o germinar da justiça trará novos tempos entre os homens e fará manifestar a glória de Deus, glória esta que segundo Santo Irineu (século III) “é o homem vivo” [5], faz-se mister lutar pela sua concretização, negando tudo aquilo que a desconfigura. Desta feita, repito, concluímos que não há dissenso, pelo contrário, há consenso e proximidade, na tradição profética e na Doutrina Social da Igreja, pela implementação, particularmente entre os mais pobres, da justiça de Deus que vem do alto e de baixo e que para nós tem nome e sobrenome: JESUS CRISTO DE NAZARÉ!!!!!!

 

  

DIÁCONO RINGSON  MONTEIRO DE\r\nTOLÊDO

Arquidiocese da Paraíba

Email: ringoadvogado@gmail.com




[1]     https://www.dehonianos.org/portal/03o-domingo-do-advento-ano-b.


[2]     CNBB. https://liturgiadiaria.cnbb.org.br/


[3]     https://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents.\r\n2004.


rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html


[4]     Ibidem, 2004


[5]. São Ireneu de Lião: Contra as heresias.\r\nSão Paulo: Ed. Paulus, 1995.


 
Tags
Artigo
Indique a um amigo
 
 
 
 

Copyright © Paróquia São José Operário. Todos os direitos reservados